Política catavento

Posso falar o que eu acho? @Rui Marques
"Acontece que hoje, 1 de dezembro de 2024, o país está mergulhado num marasmo político, social e governamental que, a meu ver, em pouco difere do que se viveu até abril de 74…"
Em Portugal vivemos um momento extraordinário, no que diz respeito à clareza das intenções daqueles que nos (des)governam. Desde 1974 que não tínhamos diante dos nossos olhos uma realidade tão límpida.
Durante 40 anos houve muito boa gente que não viu, não se apercebeu (ou não quis perceber) que o país vivia numa ditadura. Mas as coisas eram claras… Quem pensava, tinha a noção plena de que a ditadura existia! Para os outros, os que não tinham opinião, provavelmente estava tudo bem!
Acontece que hoje, 1 de dezembro de 2024, o país está mergulhado num marasmo político, social e governamental que, a meu ver, em pouco difere do que se viveu até abril de 74…
Grande parte dos nossos eleitores não vê (ou não quer ver) que muito de quem nos governa é um grupo de políticos de carreira, emanados das juventudes partidárias que mais não sabem fazer do que servir-se da política, e dos cargos estatais a que acedem, para seu benefício próprio. Já, sentido de dever, serviço ao bem comum, são definições que não constam no seu ideário.
Assim, enquanto eleitores, é natural que nos sintamos frustrados assistindo diariamente ao errático percurso governamental, aquilo que eu denomino de política catavento… Política sem objetivos maiores e que apenas tem como finalidade encontrar forma de cada um se servir ou promover a si próprio, fazendo "orelhas moucas" à responsabilidade que lhe foi investida, de decidir para o povo e pelo povo…
A frustração (e o descrédito) nos nossos políticos surge quando constatamos que não têm pejo em dançar na corda bamba, mudar de posição ou opinião com a maior das facilidades, dependendo das circunstâncias ou conveniências, tal como um catavento gira conforme a direção do vento, ajustando os seus discursos e propostas conforme as tendências populares. Antes de eleições, defendem políticas que contradizem posições anteriores e publicamente, com a maior desfaçatez, adotam posturas que, para agradar à maior parte dos eleitores, se desviam das convicções anteriormente postuladas, esquecendo o verdadeiro sentido para que foram eleitos.
Votamos em quem tem falta de firmeza, falta de coerência, e em quem revela mudança de posições considerando apenas interesses pessoais ou eleitorais. Em Portugal, como em qualquer democracia, esse comportamento não é universal, mas hoje é bem visível!
O pior de tudo isto é que, se olharmos desapaixonadamente para o percurso dos nossos representantes (quer estejam no governo ou não), deixamos de acreditar… Por um lado porque não vemos rumo, ideais a cumprir ou consistência nas ideias ou nas ações. Por outro, porque não sabemos em quem crer e se as palavras que proferem não passam de um discurso aparentemente eloquente mas estéril.
Há muito quem afirme estar preocupado com o atual brotar (se eu fosse político trocava a palavra brotar por escalar… está mais na moda!) dos extremismos na Assembleia da República. Eu não poderia estar mais em desacordo! O extremar de posições é revelador e clarificador. Hoje, apenas estamos a assistir ao revelar do íntimo (eternamente disfarçado) daquilo que vai no coração (leia-se interesse) dos nossos mais altos representantes.
Tenho dito!
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